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Casado com Patrícia Abreu, pai de Laís, Raquel e Leyla Letícia.

DONS DE ELOCUÇÃO

Hoje estudaremos a respeito dos três dons de elocução: profecia, variedade de línguas e interpretação. Qual o propósito destes dons? Atualmente temos visto muita confusão e falta de sabedoria no uso destes dons, em especial o de profecia, por isso, precisamos estudar com afinco este tema a fim de que não sejamos enganados pelos falsos profetas. Paulo exortou os crentes de Corinto para que eles procurassem com zelo os dons espirituais e em especial o dom de profecia, pois aquele que profetiza edifica toda a igreja (1 Co 14.31).




DOM DE PROFECIA

A profecia, geralmente, é expressão vocal inspirada pelo Espírito de Deus. A profecia pode ser por revelação, na qual o profeta proclama uma mensagem previamente recebida por meio dum  sonho, uma visão ou pela Palavra do Senhor. Pode ser também extática, uma expressão de inspiração do momento. Há muitos exemplos bíblicos de ambas as formas. As profecias extática e inspirada podem tomar a forma de exaltação e adoração a Cristo, admoestação exortativa, ou de conforto e encorajamento inspirando os crentes.
Este é o dom principal, a inspiração da mensagem, a qual transcende o que é meramente didático. Esse dom inclui o conhecimento prévio, mas envolve especialmente certo poder de ministrar ensino, instrução, consolo, ainda que em um nível superior ao do mestre ordinário, o qual é, essencialmente, transmissor de preceitos previamente conhecidos.
É preciso distinguir a profecia aqui mencionada, como manifestação momentânea do Espírito da profecia do dom ministerial na igreja, mencionado em Ef 4.11. Como dom de ministério, a profecia é concedida a apenas alguns crentes, os quais servem na igreja como ministros profetas. Como manifestação do Espírito, a profecia está potencialmente disponível a todo cristão cheio dEle (At 2.16-18). Trata-se de um dom que capacita o crente a transmitir uma palavra ou revelação diretamente de Deus, sob o impulso do Espírito Santo. Aqui, não se trata da entrega de sermão previamente preparado.
Tanto no AT, como no NT, profetizar não é primariamente predizer o futuro, mas proclamar a vontade de Deus e exortar e levar o seu povo à retidão, à fidelidade e à paciência. A mensagem profética pode desmascarar a condição do coração (1 Co 14.25), ou prover edificação, exortação, consolo, advertência e julgamento.
A igreja não deve ter como infalível toda profecia deste tipo, porque muitos falsos profetas estarão na igreja (1 Jo 4.1). Daí, toda profecia deve ser julgada quanto à sua autenticidade e conteúdo (1 Ts 5.20,21). Pode-se aceitar que nenhuma profecia excederá aos limites da verdade revelada nos documentos básicos (a Bíblia Sagrada); mas a profecia pode contribuir bastante para interpretar tais verdades, além de abordar necessidades específicas da igreja local, envolvendo questões de ensino, questões morais, que pessoas menos dotadas não saberiam resolver com sucesso. Com base nesse pensamento, pode-se ver que um bom profeta, que opere no seio da igreja cristã, pode ser meio para dar solução a vários problemas, trazendo luz para situações difíceis. Tal solução precisaria de tempo extraordinário se fosse usado somente o método comum do ensino. Mais do que isso ainda, a verdadeira profecia exerce certa forma de poder e autoridade entre os irmãos que serve de meio poderoso para aproximar os homens mais ainda de Cristo.
O dom de profecia manifesta-se segundo a vontade de Deus e não a do homem. Não há no NT um só texto mostrando que a igreja de então buscava revelação ou orientação através dos profetas. A mensagem profética ocorre na igreja somente quando Deus toma o profeta para isso (1 Co 12.11).
Considerando-se o dom profético sob esse prisma, esse é um dom altamente desejável na igreja cristã moderna.

VARIEDADE DE LÍNGUAS

O dom de línguas (gr. glossa) é o poder de falar sobrenaturalmente em uma língua nunca aprendida por quem fala, sendo ela inteligível aos ouvintes por meio do dom igualmente sobrenatural de interpretação. Estas línguas podem ser humanas, isto é, atualmente faladas (At 2.6), ou desconhecidas na terra (1 Co 13.1).
Falar noutras línguas é uma expressão verbal inspirada, mediante a qual o espírito do crente e o Espírito Santo se unem no louvor ou profecia. Desde o início, Deus vinculou o falar noutras línguas ao batismo no Espírito Santo (At 2.4) de modo que os primeiros 120 crentes no dia do Pentecoste, e os demais batizados a partir de então, tivessem uma confirmação física de que realmente receberam o batismo no Espírito Santo (At. 10.45,46). Desse modo, essa experiência podia ser comprovada quanto a tempo e local de recebimento. No decurso da história da igreja, sempre que as línguas como sinal foram rejeitadas, ou ignoradas, a verdade e a experiência do Pentecoste foram distorcidas, ou totalmente suprimidas.
No livro de Atos, as línguas do dia de Pentecostes foram idiomas estrangeiros, compreendidos por aqueles que ouviam aos cristãos primitivos (At 2.8).
É importante esclarecer que o simples fato de alguém falar "noutras línguas", não é evidência irrefutável da obra e da presença do Espírito Santo. O ser humano pode imitar as línguas estranhas como o fazem os demônios. Somente devemos aceitar as línguas se elas procedem do Espírito Santo, como em At 2.4. Esse fenômeno, segundo o livro de Atos, deve ser espontâneo e resultado do derramamento inicial do Espírito Santo. Não é algo aprendido, nem ensinado, como por exemplo instruir crentes a pronunciar sílabas sem nexo. Se alguém afirma que fala noutras línguas, mas não é dedicado a Jesus Cristo, nem aceita a autoridade das Escrituras, nem obedece à Palavra de Deus, qualquer manifestação sobrenatural que nele ocorra não provém do Espírito Santo (1 Jo 3.6-10).
O dom de variedade de línguas tem dois propósitos principais:

  • O falar noutras línguas pelo crente para dirigir-se a Deus nas suas devoções particulares e, deste modo, edificar sua vida espiritual (1 Co 14.4). Significa falar ao nível do espírito (1 Co 14.2,14), com o propósito de orar (1 Co 14.15), dar graças (1 Co 14.16,17) ou cantar (1 Co 14.15);
  • O falar noutras línguas seguido de interpretação, também pelo Espírito, em culto público, como mensagem verbal à congregação para sua edificação espiritual (1Co 14.5,6,13-17). Deve haver ordem quanto ao falar em línguas em voz alta durante o culto. Quem fala em línguas pelo Espírito, nunca fica em "êxtase" ou "fora de controle" (1 Co 14.27,28).

INTERPRETAÇÃO DE LÍNGUAS

Os crentes de Corinto tinham criado grande confusão, nos cultos de sua igreja, ao falarem línguas sem haver quem interpretasse. Isso significava que ninguém era edificado. Por isso o apóstolo Paulo explica a importância do dom de Interpretação de Línguas.
Trata-se da capacidade concedida pelo Espírito Santo, para o portador deste dom compreender e transmitir o significado de uma mensagem dada em línguas. Tal interpretação não depende de qualquer conhecimento natural, pois o termo indica muito mais do que o mero conhecimento de idiomas estrangeiros, ou a capacidade de alguém agir como intérprete (1 Co 14.13). A mensagem interpretada para a igreja reunida, pode conter ensino sobre a adoração e a oração, ou pode ser uma profecia. Toda a congregação pode assim desfrutar dessa revelação vinda do Espírito Santo. A interpretação de uma mensagem em línguas pode ser um meio de edificação da congregação inteira, pois toda ela recebe a mensagem (1 Co 14.6,13,26). A interpretação pode vir através de quem deu a mensagem em línguas, ou de outra pessoa. Quem fala em línguas deve orar para que possa interpretá-las (1 Co 14.13).

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BIBLIOGRAFIA

Bíblia de Estudo Pentecostal. Flórida, EUA: CPAD, 1995, p. 1757-58

CHAMPLIN, Russell Norman. O Novo Testamento Interpretado Vol. 4. São Paulo: Hagnos, 2012, p.188-9


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